Vaga Lume recebe prêmio do BID - Juscelino Kubitschek
Em cerimônia realizada no dia 30 de novembro, no Hotel Miragem, no Estoril, Portugal, a Associação Vaga Lume recebe o Prêmio Mérito ao Desenvolvimento Regional da América Latina e Caribe Juscelino Kubitschek. O prêmio é uma homenagem a Juscelino Kubitschek, o brasileiro que idealizou a criação de uma instituição multilateral de desenvolvimento para a América Latina e Caribe, da qual resultou o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que completa 50 anos em 2009.
Esta é a primeira edição do Prêmio Juscelino Kubitschek, o maior prêmio de uma instituição multilateral para trabalhos de desenvolvimento na América Latina e no Caribe. Foram inscritas 145 instituições representando 22 países das Américas e Europa. A Vaga Lume foi a vencedora com o Prêmio Cultural, Social e Científico juntamente com a organização Fé e Alegria da República Dominicana.
  Evento de Parceiros "Aproximar Distâncias" - 24 de Novembro
No dia 24 de Novembro a Vaga Lume realizou um evento aos parceiros, amigos e interessados em conhecer o trabalho. Em média 80 convidados estiveram presentes. Tendo como tema central a sua essência “aproximar distâncias”, o evento foi apresentado em duas etapas: no início, enquanto os convidados chegavam, uma exposição multimídia com os vídeos dos programas Rede e Expedição eram focos de atração, ao mesmo tempo em que projeções de outros vídeos da Vaga Lume ambientavam o espaço.
Uma hora após o início do evento os convidados se dirigiram ao segundo andar do Ekoa Café, para assistir uma palestra do escritor amazonense Milton Hatoum, que compartilhou sua experiência de vida tomando como base do discurso o tema “aproximar distâncias”. Em seguida, as crianças da Escola Vera Cruz, Colégio Oswald e Projeto Anchieta, que participaram da Rede em 2007 e 2008 deram depoimentos sobre a sua participação no programa, despertando a emoção do público ao ler seus relatos. Ao final da noite o livro Cartas, Pontes, Novos Horizontes, fruto do intercâmbio das crianças da Escola Vera Cruz e de Portel do Pará, foi lançado e distribuído aos convidados.
“Descobri que Pará é tão longe como a diferença entre uma pessoa e outra como por exemplo: a cor de pele, sua religião, o gosto pelas coisas, língua, menino e menina e costume. Depois dessa experiência eu tive a conclusão que eu quero ser educador”, relata Hiago, adolescente do Projeto Anchieta.
  4o Congresso Vaga Lume - 14 a 21 de Outubro - Santarém- Pará
O 4º Congresso Vaga Lume ocorreu dos dias
Temas centrais como juventude brasileira, voluntariado, capacitação em mediação de leitura, gestão de bibliotecas comunitárias e captação de recursos foram abordados, mesclados com trocas de experiência e momentos de descontração.
Os seis dias e noites de evento foram preenchidos com oficinas e palestras, atividades que envolveram todos os participantes ou pequenos grupos. Além da Vaga Lume proporcionar um espaço para seus voluntários mediadores de leitura ou multiplicadores se apropriarem da metodologia de trabalho e aprenderem com as vivências uns dos outros, o Congresso possibilita o aprimoramento da comunicação entre a equipe Vaga Lume e os representantes das comunidades onde atua.
A diversidade é o que enriquece encontros como esse, o intercâmbio cultural presente no evento e em todo o trabalho da Vaga Lume aproxima pessoas de diferentes municípios e realidades distintas, que juntos planejam ações para facilitar o acesso ao livro e a leitura e a valorização da cultura local. “A gente tem muita experiência para trocar”, relata Francisco Souza da Cunha, de Pacaraima-RR.
O Congresso Vaga Lume é um espaço de formação continuada, onde ano a ano agentes multiplicadores participam, se capacitam e replicam a metodologia para formar novos mediadores de leitura ou trabalhar com temas relacionados à gestão comunitária em seus municípios.
Além do Congresso possibilitar que alguns multiplicadores já formados retornem para dar continuidade à sua formação, o 4º Congresso abriu portas para capacitar novos mediadores de leitura engajados e comprometidos com o trabalho da Expedição e a representantes das Secretarias Municipais de Educação, parceiros locais do projeto.
Pela primeira vez, um público jovem também esteve presente no Congresso Vaga Lume. Eles representaram a juventude brasileira e a importância de se investir em ações educativas e culturais que contribuam com a formação de jovens mais conscientes e participativos. “Ficamos felizes em ouvir relatos de vocês, é um incentivo para acompanhar os jovens”, relata Emanuelli Almeida, de Castanhal-PA.
Como palestrantes convidados estavam: Elisa Machado, doutora e especialista em gestão de bibliotecas comunitárias; Silvia Naccache, coordenadora do Centro de Voluntariado de São Paulo; Elie Bajard, linguista e especialista em mediação de leitura; José Roberto da Silva, técnico em trabalhos com juventude, da A Cor da Letra; a artista plástica Nair Kremer e o instrutor de atenção plena Manju Pria.
O Congresso contou com o apoio estratégico do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), projeto do MEC/ FNDE.
  Oficina de construção do livro da Rede 2008
Realizada no ateliê do Instituto Rodrigo Mendes nos dias 1 e 2 de julho de
Tendo como tema base as experiências da troca de trabalho entre crianças e adolescentes das instituições de ensino mencionadas, foi a primeira experiência para construí-lo coletivamente e já dar um grande passo inicial!
Cada representante fazia a seleção dos trabalhos das crianças da sua instituição. Foi-se construindo e alinhando as intenções das escolhas do material com muita observação e pesquisa de outros livros. Seleção, votação, bolinhas e mais bolinhas durante o outro dia!
Todos deram suas sugestões e uma avaliação do que seria legal para a REDE para os futuros anos: troca de experiências através de trocas de trabalhos, continuação do tema sobre o meio ambiente, participação dos adolescentes e o Acampamento de Integração.
“A experiência foi muito boa. Ótimo para reencontrar e por o papo
  Vaga Lume recebe mais duas premiações: Prêmio JK e Prêmio FNLIJ
A Vaga Lume recebe mais duas premiações: O Prêmio JK - Mérito ao Desenvolvimento Regional da América Latina e Caribe Juscelino Kubitschek, e o segundo lugar do Prêmio FNLIJ - O Melhor para Criança, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
O Prêmio Mérito ao Desenvolvimento Regional da América Latina e Caribe Juscelino Kubitschek é uma iniciativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em sua primeira reedição, foram inscritas 145 instituições representando 22 países das Américas e Europa. A Vaga Lume foi a vencedora com o Prêmio Cultural, Social e Científico juntamente com a organização Fé e Alegria da República Dominicana. A cerimônia de entrega do Prêmio será no dia 30 de novembro, em Portugal.
O 14º Concurso FNLIJ Os Melhores Programas de Incentivo à Leitura Junto a Crianças e Jovens de Todo o Brasil 2009, é uma iniciativa da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, com apoio do Ministério da Cultura e patrocínio da Petrobrás. Em 70 inscrições, a Vaga Lume recebeu o segundo lugar, com o Programa Expedição. A premiação ocorreu no dia 10 de junho de 2009, no Centro Cultural Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro.
  Vaga Lume recebe dois prêmios: Vivaleitura e Chico Mendes
  Encontro Internacional Literatura e Ação Cultural
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É com grande satisfação que colocamos no ar mais uma edição do Balanço Anual de Atividades da Associação Vaga Lume.
Em 2007, a Vaga Lume contribuiu com a educação de cerca de 18 mil crianças brasileiras, através dos seus programas de acesso à leitura e intercâmbio cultural.
Isso só foi possível graças ao apoio de uma luminosa rede de parceiros e voluntários engajados na melhoria da nossa sociedade. Parabéns a todos!
Para acessar o Balanço clique aqui.
  Bengui abre as portas para a leitura - Jornal O Liberal
Matéria publicada no Jornal O Liberal em 31/1/2008
Associação instala biblioteca aberta às crianças de famílias de baixa renda
RAFAEL GUEDES
Da redação
Antônia sorri quando lembra do garoto que apareceu na biblioteca aborrecido, livro em mãos, com a história que tinha acabado de ler. Um livreto infantil que contava a relação entre um girino e uma lagarta em seu casulo. A amizade acabou quando o girino virou sapo e engoliu a borboleta, que mal havia ganhado asas. "Ele ficou chateado e disse que não gostou do livro. Como um amigo poderia fazer isso com outro?", conta Antônia. É uma entre várias experiências que ela ouve sempre que as crianças aparecem para devolver livros na Biblioteca Vaga Lume Amigos da Leitura que funciona na varanda da sua casa, no bairro do Bengui, na periferia de Belém. Antônia Marques da Silva, 41 anos, é dona-de-casa e voluntária do Projeto Multiplicação, iniciativa da Associação Vaga Lume, ONG paulista realizadora da Expedição Vaga Lume, que desde 2001 espalha bibliotecas pelas comunidades rurais da Amazônia brasileira. O projeto dá os livros e a estrutura e Antônia cede o espaço, mediando as sessões de leitura com as crianças a partir de uma didática específica. A mecânica parece simples, mas envolve esforços de diversos agentes num projeto mais amplo. Num bairro sem espaços de lazer, engolido pelo lixo e a lama, a varanda de Antônia é um oásis de prosperidade.
Implantada em dezembro de 2007, a biblioteca possui um acervo de 100 novos livros. A estante foi confeccionada por detentos sob custódia da Superintendência do Sistema Penal do Estado do Pará (Susipe). Duas vezes por semana, a varanda se enche de crianças que fazem os empréstimos dos livros ou os lêem ali mesmo, acomodados sobre esteiras, onde são realizadas sessões de leitura mediadas por Antônia e Patrícia Lima, 32 anos, também voluntária do projeto. Ambas participaram de oficinas de formação de mediadores realizadas pela Associação Vaga Lume. Mas essa é uma história que remonta há alguns anos, quando essas mesmas oficinas seriam responsáveis por formar a grande idealizadora da biblioteca que o Benguí acaba de ganhar.
Ana Maria Cabral da Gama, 49 anos, é professora há 23 anos da rede estadual. Em 2002, soube da realização de um curso na Escola Roberto Remigi, no assentamento João Batista II, município de Castanhal, a cerca de 77 quilômetros de Belém, onde a Associação Vaga Lume havia instalado uma pequena biblioteca. "Sempre tive o desejo de contribuir no processo ensino-aprendizagem, que é um problema permanente do nosso município", diz a professora. Durante uma semana, ela aprendeu o método de mediação desenvolvido pela Associação Vaga Lume para as bibliotecas instaladas na Amazônia. Ana passou então a desenvolver a mediação na Escola Cidade de Emaús, no Benguí.
Pelo método, os mediadores lêem os livros na íntegra para as crianças, que formam suas próprias interpretações sobre o conteúdo. As crianças também emprestam livros da biblioteca e conversam sobre as histórias que leram ao devolver as obras. Em algumas escolas do projeto, as crianças fazem os seus próprios livros, a partir de histórias contadas pelos idosos, numa contribuição à manutenção das tradições orais das comunidades amazônicas.
"Fiz o curso e fiquei encantada com a técnica de mediação de leitura. Eu já havia tentado outras formas e elas não eram tão aceitas. Fiquei impressionada porque ela aproxima as crianças do livro", diz a professora. "Depois do curso, não havia uma leitura que não interessasse a elas. As crianças disputavam os livros, e aí comecei uma luta para conseguir mais exemplares."
Em 2003, a expedição Vaga-Lume continuou a enviar livros. De acordo com Ana, foram mais de 400. Outros 270, explica Ana, foram doados pela Fundação Ecofuturo. "Todos livros novos", ela frisa. Em setembro daquele ano, 20 voluntários foram mobilizados na arrecadação de mais de 500 livros na Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém, que foram doados para a Escola Roberto Remigi. Em 2005, Ana mobilizou professores para a realização de uma campanha junto a escolas particulares da capital para a arrecadação de livros usados, mas os resultados foram tímidos.
A aproximação com o projeto foi inevitável, e a professora sugeriu à Associação Vaga Lume a instalação de uma biblioteca própria da entidade no Bengui. Para tanto, reuniu dados e informações que justificassem a necessidade de uma biblioteca no bairro, um dos mais pobres de Belém.
INFORMAL
Surgido na década de 1940, o Bengui acumula um histórico de ocupações desordenadas. Dados do IBGE de 2000 apontam que, dos quase 240 mil habitantes do bairro, 44,5% são crianças e adolescentes. O rendimento nominal médio das pessoas com renda é de R$ 382,48, com 58% dos moradores economicamente ativos na atividade informal. De acordo com o ‘Relatório da Cidadania III: Os jovens e os Direitos Humanos’ da Rede de Observatórios de Direitos Humanos, de 2002, a maior parte dos moradores do bairro possui apenas o nível fundamental incompleto. Ainda segundo o relatório, existem no Benguí apenas dois postos de saúde, três postos da Polícia Militar e um da Polícia Civil. Não há bibliotecas públicas, cinema ou teatro, e apenas duas praças em péssimo estado de conservação.
Pela insistência voluntariosa, a dedicação às crianças e à paixão pelos livros, Ana Cabral conseguiu algo inédito. Até então restrito às localidades rurais da Amazônia, o projeto inaugurou em dezembro sua primeira biblioteca na periferia de uma grande cidade.
"Nossa meta era inicialmente trabalhar com todas as escolas rurais das comunidades onde atuamos", diz a assessora executiva da Associação Vaga Lume, Daniela Weiers. "Conhecemos a Ana em Castanhal, em 2002, e desde então ela tem participado dos cursos de formação de mediadores da leitura." Os esforços não foram em vão. Em apenas dois meses, os registros da Biblioteca Vaga Lume Amigos da Leitura indicam a frequência de alunos de nove escolas das imediações.
Biblioteca é alternativa às dificuldades de ser criança em bairro carente
Ela já leu "Letras ciganas", "Cinderela" e "O macaco malandro". Doou três livros à Biblioteca Vaga Lume Amigos da Leitura – que, aliás, foi ela quem batizou. Sinara Farias Felipe, 13 anos, estudante da 7ª série, é freqüentadora assídua da biblioteca e já não sabe dizer quantos livros leu desde que ela foi inaugurada. "Antes eu lia ‘mais ou menos’. Mas toda noite, antes de dormir, ou de manhã, quando não tenho nada pra fazer, pego um livro pra ler", diz Sinara. "Em casa tenho poucos livros. Comecei a ler mais por causa da biblioteca."
Sinara mora com a mãe, empregada doméstica, e o padrasto, que trabalha como vigia. Reclama da falta de espaços para brincar, da sujeira do bairro e lembra que a entrada da rua da biblioteca está cheia de lixo e caramujos. Não gosta de ficar até tarde na rua porque "muito homem enxerido fica mexendo com as meninas". Acabou encontrando na biblioteca não apenas um passatempo, mas uma alternativa às dificuldades de ser criança num bairro tão carente.
"O livro ensina muitas coisas boas pra gente, o caminho que a gente deve seguir, e ajuda a passar as coisas que sabemos para outras crianças que não sabem", diz Sinara. Sem saber, já se tornou uma mediadora. "Tenho colegas que não acham bacana ler, dizem que dá dor de cabeça, que prejudica a vista. Tem gente que gosta de jogar bola. Eu gosto de ler."
Jhully Wenny, de 12 anos, acha o bairro perigoso e escolheu a biblioteca para ler e brincar. Ela já pegou emprestado três livros desde que a biblioteca foi aberta e diz que a leitura lhe ensinou a usar melhor as palavras. "Quando a gente lê, a gente fica sabendo como se escrevem as palavras. É só olhar no livro", explica. "Aqui a gente faz o desenho, depois faz uma história do desenho e lê em voz alta. É muito divertido."
"O que eu vejo muito é que eles não têm área de lazer, então as crianças ficam na rua. Não tem praça, só arena, mas são todas particulares", diz Antônia. Ela teme a exposição à violência e às drogas, mas está orgulhosa da biblioteca e mostra com orgulho a pasta onde estão registrados os 300 empréstimos realizados pelas crianças. Ana Cabral comemora os resultados e espera que novos parceiros se aliem ao projeto, já que a escola funciona em estrutura mínima. A casa não possui grades e o chão, cimentado, carece de mais esteiras para as crianças se acomodarem. A varanda é quente e não tem ventilador. Com a chegada de novos livros, a biblioteca também precisará de mais estantes. A própria professora já buscou apoio junto à Secretaria Municipal de Educação (Semec) há alguns anos, mas à exceção de um aporte de recursos no ano passado, as investidas foram em vão.(R.G.)
Promoção da cidadania
A Expedição Vaga Lume é um programa criado e desenvolvido pela Associação Vaga Lume em 2001, a partir de um piloto no estado do Pará, com o objetivo de promover o acesso ao livro e à leitura em comunidades rurais da Amazônia Legal brasileira. Além da estrutura fornecida pelo programa, composta por um acervo de livros novos e mobiliário contendo uma estante de madeira certificada, livreira em lona reciclada para expor os livros em sala de aula e dois tapetes pedagógicos fabricados em palha, o programa também capacita professores da rede pública e lideranças comunitárias na mediação de leitura - técnica de origem francesa que trabalha o livro como objeto cultural – e na valorização das histórias locais.
Desde 2001, o programa já distribuiu mais de 50 mil livros novos, capacitou 1.000 mediadores de leitura e formou bibliotecas escolares comunitárias em 82 comunidades rurais de 19 municípios de 9 estados da região da Amazônia Legal brasileira. A ONG já recebeu diversos prêmios de reconhecimento nacional, como o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e o Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio concedido pelo Governo Federal e PNUD/ONU.
Serviço:
A Biblioteca Vaga-Lume Amigos da Leitura está precisando de esteiras simples para acomodar as crianças e estantes para os novos livros. A varanda abafada pode melhorar com um ventilador. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com a professora Ana Maria Cabral, pelos telefones (91) 3288.0770 e (91) 9138.0430. Você pode saber mais sobre o projeto em www.vagalume.org.br



