Home: Nossos Projetos : Diário de Bordo
Diário de Bordo
Confira o diário de bordo da Expedição Vagalume em 2005:
  • De volta ao Mato Grosso - Janeiro/2005
  • Mato Grosso tambem e Amazonia - Fevereiro/2005
  • Colhendo os frutos - Março/2005
  • Pessoas como ponte para os livros - Abril/2005
  • Amazonia ensina um "outro" português - Maio/2005
  • Canoa x Lancha - Junho/2005
  • Pegue o seu trombone! - Julho/2005
  • Confira outros anos:
  • 2004
  • 2002
  •  De volta ao Mato Grosso - Janeiro/2005    

    A Amazônia Legal brasileira, área de atuação da Expedição Vaga Lume, é um vasto território, que compreende nove estados e se estende bem além dos limites da floresta tropical. O cerrado do Mato Grosso e Tocantins ou o litoral do Pará e Maranhão compõem paisagens diferentes do que imaginamos normalmente quando nos referimos à Amazônia.

    Enganam-se aqueles que supõem que as comunidades rurais dessa imensa região tenham características homogêneas. Existem tipos bem distintos de comunidades: ribeirinhas, pesqueiras, garimpeiras, agrícolas, missões religiosas. Um dos tipos mais freqüentes, que parecem espelhar como nenhum outro a vida brasileira, pelo qual temos especial carinho por se tratarem de locais esquecidos, é o tipo que batizamos de 'beira de estrada'. São habitadas por famílias pobres, vivem no ritmo da rodovia que as corta, não têm rios, não têm paisagens. Não são românticas.

    Foi no povoado de 'beira de estrada' por nome São José do Couto, município de Campinápolis, que implantamos uma biblioteca em março de 2002. Éramos três mulheres no início de uma longa jornada. Quase três anos depois, voltamos para conferir o resultado e acrescentar o predicado Comunitária à já implantada Biblioteca. Desta vez, éramos cinco mulheres numa caminhonete cabine dupla alugada.  

    As condições não nada favoráveis: a prefeitura de Campinápolis estava mergulhada no caos graças ao prefeito foragido Joaquim Valadão, ou Joaquim Bananeiro, como era conhecido. Com dezenas de processos judiciais envolvendo seu nome, violência e corrupção, o ex-comerciante de bananas é um personagem comum por essa bandas: não conhece nem respeita os princípios do Estado de Direito. A lei que segue é da 'bala e da faca', no dizer dos violeiros.
        
    Embuídas do espírito expedicionário que animou os irmãos Villas Boas a integrarem a Expedição Roncador-Xingu, em 1943, resistimos às eventuais dificuldades do percurso e conseguimos o necessário para chegar a São José do Couto, levando conosco seis professores e alunos xavantes, convidados a participar do encontro.

    Deixamos a Biblioteca funcionando a todo vapor. Na verdade, desde que deixamos São José do Couto, em 2002, a biblioteca vinha tendo uma média de retiradas de 250 livros por mês. Para uma comunidade de 900 habitantes é excelente! Há gente disposta a entrar lutar contra a ignorância: conforme o caderno de retirada da biblioteca, são alguns adultos e muitas crianças!
     Mato Grosso tambem e Amazonia - Fevereiro/2005    

    Não sei se foi influência das novelas, mas sempre imaginei o Mato Grosso cheio de fazendas de gado, peões e sucuris no Pantanal.  Quando a Expedição Vaga Lume desenhou seu mapa de atuação em 2001, decidimos atuar na Amazônia Legal Brasileira. Levei um susto quando constatei que o estado do Mato Grosso fazia parte da Amazônia.

    Curiosamente, assim que chegamos lá, notamos que os mato-grossenses também não sabiam que estavam em alguma parte da Amazônia. A cobertura do estado é mista, variando de áreas alagadas a serras, chapadas, cerrado e floresta. Nas histórias que contam os moradores mais antigos não faltam cobras gigantes, onças-pintadas, garimpo e muitos forasteiros, migrantes de todas as partes do país. Hoje o Mato, que um dia foi Grosso, deu lugar a uma porção de pasto e plantação de soja - transgênica, cujo plantio está liberado e o preço é mais competitivo.

    É impossível deixar de notar que passados 182 anos da Independência do Brasil, ainda praticamos a monocultura extensiva como se fôssemos uma Colônia de ultramar, comandados por uma Metrópole interessada na exploração máxima do território. Não aprendemos até hoje os prejuízos ambientais decorrentes das monoculturas! Ao contrário: somos coniventes com a derrubada da floresta. 'É muito grande!', dizem alguns. Como devia ser grande a Mata Atlântica. Mas ao longo de 150 anos, foram eliminados 250 mil km2 de sua cobertura na região centro sul. Na Amazônia, sobretudo no Mato Grosso, Rondônia e Pará, bastaram 25 anos (1965-90) para que fossem derrubados, vendidos e queimados 400 mil km2 de floresta nativa.

    Mesmo assim, parece que a questão ambiental não sensibiliza o brasileiro tanto quanto a Balança Comercial. A soja liderou as exportações em 2004, seguida da carne bovina. A famosa Fronteira Agrícola é onde o capitalismo encontra a selva e se mostra mais selvagem que a natureza. "Negócios são negócios", é a lei da selva.

    Em Primavera do Leste, há uma quadra de tênis na beira da estrada. O Mato Grosso não se parece a Amazônia...  até que chegamos à Aldeia Santa Clara. Fomos buscar professores e jovens xavantes para participar do curso da Expedição Vaga Lume em São José do Couto. Os milhares de indígenas espalhados em áreas indígenas por todo o estado não foram mostrados nas novelas. Sua presença numerosa, sua história, sua cultura são testemunhos do tempo em que fazia sentido chamar ao Mato Grosso de Amazônia.
     Colhendo os frutos - Março/2005    

    Sempre nos perguntam de onde vem a motivação da Expedição Vaga Lume para trabalhar em locais tão remotos, em condições tão desfavoráveis. Costumamos dizer que vem de dentro. Essa motivação que vem de dentro foi a responsável pela criação do projeto. Mas para a continuidade e aprofundamento do trabalho, a motivação vem também de fora, em forma de singelas cartas vindas de inúmeros cantinhos do Brasil.

    “A Biblioteca Jose Marti foi fundada no dia 18 de novembro de 2002, a partir de um curso de mediadores de leitura promovido pela Expedição Vaga Lume que reuniu educadores e educadoras do campo. Nossa biblioteca esta localizada a margem direita da BR 316, sentido Belém-Brasília, no assentamento João Batista II, próximo a agrovila Bacuri, a 22 km do centro da cidade, município de Castanhal, Para. Fica aberta ao publico da comunidade local e vizinha, nos horários úteis ao funcionamento da escola: pela manha das 10h as 11h, pela tarde das 14h as 17h e pela noite das 19h as 20h. A biblioteca funciona a partir do estatuto feito pelos educadores e educadoras do Assentamento e coordenadoras da Expedição Vaga Lume.” (Valéria Lopes, setembro de 2004).

    Valéria, a autora do relatório, tem 20 anos e era uma aluna atenta durante a semana de formação que promovemos em seu assentamento. Desde então, ganhou função de destaque na comunidade, sendo nomeada bibliotecária. De todas as informações emocionantes que traz seu relatório, a mais motivadora e sobre o volume de retiradas de livros da biblioteca: em 21 meses de funcionamento, foram 4340 empréstimos, uma media superior a 200 livros retirados por mês! Parece apropriada a homenagem ao herói da independência cubana Jose Marti, quem disse que ‘Ser culto e uma forma de ser livre’.

    Sandro, um jovem voluntário da comunidade Menino Deus, no Rio Acangatá, município de Portel, Para, participou da formação promovida para representantes de 10 comunidades rurais de seu município. “Estou escrevendo para informar-lhes sobre a minha missão como mediador de leitura, sobre as pessoas, que são os alunos, sobre a importância desta tarefa e sobre as expectativas que vão surgindo” (Sandro Moreira da Silva, janeiro de 2005).

    Ele conta que reuniu 21 crianças em sua comunidade e montou com elas um grupo de leitura. Com a aprovação de seus pais, combinaram a data e hora do primeiro encontro: um domingo as 6 horas da manha (!!!). “Chegando o dia, eu me levantei as 5 horas e 45 minutos, arrumei-me e fui para o encontro. Quando cheguei, 98% das crianças já me aguardavam, ansiosos para conhecer os livros e manusea-los.” Sandro conta que pretende formar novos grupos na comunidade e que tem saudades dos amigos que fez nas comunidades do Rio Anapu durante a semana de formação.

    Com Valérias e o Sandros para nos motivar, o vaga-lume segue em frente, trabalhando para que sua luz se multiplique e seja duradoura.

     Pessoas como ponte para os livros - Abril/2005    

    Há muita discussão em torno dos baixos índices de letramento entre a população brasileira. ‘Brasileiro não gosta de ler’, crêem uns, ‘aqui faz muito calor, o povo é preguiçoso’, dizem outros. Não é por falta, no entanto, de pregações sobre a importância da leitura: para ser alguém na vida, para passar de ano ou conseguir um bom emprego, a leitura é o passaporte. Afinal, o que é necessário para que alguém se torne leitor? Certamente não há uma única resposta para essa questão. Livros de muitos tipos e tamanhos, sobre os mais diversos assuntos são fundamentais para seduzir o público. Mas será que são suficientes? Por que, então, existem tantas biblioteca públicas, cheias de livros, que vivem às moscas, sem leitores? Por que pessoas que têm livros à sua disposição não são leitores assíduos?

    Se livros fossem suficientes, o problema estaria resolvido: bastaria distribuí-los e o mundo estaria povoado de leitores! Mas livros não são vivos, não têm pernas para ir àqueles que nunca os procuram e nem boca para contar suas histórias. Por isso eles precisam de pessoas. São pessoas, e não livros, que formam leitores! Através de tios, pais, mães, avós, irmãos, professores, bibliotecários conhecemos os livros e nos aproximamos (ou nos distanciamos) deles.

    Na Expedição Vaga Lume, investimos na formação de pessoas capazes de fazer a ponte entre os não-leitores e os livros. São conhecidos como mediadores de leitura os simpáticos cidadãos dedicados a esta tarefa. A formação é voltada para a reflexão sobre sua relação com a leitura em três níveis cumulativos: individual (eu como leitor), grupal (eu como mediador) e comunitário. Com diretrizes simples como criar um ambiente agradável, valorizar as escolhas dos ouvintes, aceitar diferentes reações, ler o texto mostrando as figuras e não fazer verificações de leitura, os mediadores não estão preocupados com a importância e sim com o prazer de ler.

    “Em 7 de fevereiro de 2005, na casa do Senhor Antônio de Oliveira e sua família, trabalhei com mediação de leitura. Seu Antônio mora na margem esquerda do Rio Acangatá. Ele já conhece muito bem o meu trabalho e faz parte da nossa comunidade, mas mora distante da Vila do Menino Deus e de onde está a biblioteca. Quando cheguei, ele logo falou: ‘Desembarca logo os livros e cuida de ler para nós!’. Por motivo de muita chuva trabalhamos em sua cozinha. Seu Antônio não sabe ler nem escrever, mas adora livros, aliás em sua casa, ninguém sabe ler nem escrever” (carta de Valdo Palheta Alves, professor na comunidade Menino Deus, Portel, Pará).

    Valdo é um dos simpáticos cidadãos que a Expedição Vaga Lume teve o prazer de formar como mediador de leitura. Professor em uma creche municipal, além de ler para seus alunos ele percorre casas de ribeirinhos, emprestando sua voz às obras de inúmeros autores. Com simplicidade, Valdo nos prova que para levar o desenvolvimento à floresta não é necessário abrir estradas. E que é preciso rever nossa auto-imagem: brasileiros gostam de ler sim, até mesmo aqueles que nunca foram à escola.

     Amazonia ensina um "outro" português - Maio/2005    

    Quando a Expedição Vaga Lume chega a uma comunidade rural, sua tarefa é ensinar aos comunitários novas formas de promoção da leitura e organização comunitária. O trabalho só se completa, no entanto, quando além de ensinar algo, saímos desta comunidade tendo aprendido as lições que esses sábios brasileiros têm a nos ensinar.

    Aprendemos um pouco de tudo: histórias, crenças, brincadeiras, jeitos de ver a vida, dançar brega, viver em outro ritmo, conhecer as árvores, os frutos, a chuva, o rio. Desde lições triviais, como dormir em redes, até ensinamentos complicados como lutar diariamente pela sobrevivência.
    Um dos aprendizados mais divertidos é o das palavras e expressões da região. Como em qualquer parte desse país continental, o português falado na Amazônia Legal Brasileira tem sotaque (aliás, muitos sotaques) e personalidade própria.

    Em Belém do Pará, por exemplo, não estranhe se o taxista disser “Obrigado, maninha”, quando você pagar a corrida. Não é excesso de intimidade, é só o jeito de falar desses cidadãos, que chamam a todos de mano e mana, e por qualquer coisinha exclamam “Égua!!”.

    Os ribeirinhos da bacia amazônica se referem às coisas pequenas como gitas. “Sabe o Pedro, aquele mais gitinho??”. É de uma criança pequena que estão falando. Pescador fica danado quando o boto fura a malhadeira, sua rede de pesca. Por onde andamos, aprendemos que pinta é sinal e verruga é nascida. A visagem é uma assombração e a miração é uma alucinação. Ah, e biquíni (que, aliás, ninguém usa - todos se banham no rio de roupa mesmo), é pecinha.

    Para um paulistano que imagina que qualquer coisa que se locomove sobre a água é um barco, o vocabulário mais complicado é o das embarcações: tem casco, canoa, popopó, gaiola, navio, rabeta, voadeira, uma diferente da outra. Banzeiro, é o balanço do rio, nada agradável quando se está a bordo de um barco pequeno.

    Se você for à região, certamente voltará com ferradas de carapanã. Não há como escapar das picadas do esquadrão de insetos: além do carapanã, (que corresponde ao pernilongo), tem o pium ou porvinha, a mutuca, a caba, (ou marimbondo), o micuim, (um tipo de carrapato), e tantos outros parasitas para os quais você equivale a um petit gateau.

    Em um salão de beleza, o cabeleireiro pode perguntar se você quer que ele corte a partinha. Só responda que sim se quiser sair dali com uma franja. No Maranhão, se te perguntarem qual a sua pontuação, é o número do seu sapato que estão querendo saber. Lá para as bandas do Mato Grosso, caxingar é mancar e dismintir o pé é torcer o pé.

    Com tanto aprendizado, o duro é quando a gente vai embora das comunidades e as crianças nos perguntam: “Vocês voltam para o ano?!” Querem saber se a gente volta no ano seguinte. Geralmente, respondemos com uma expressão comum em todo território nacional: “Só Deus sabe!”.
     Canoa x Lancha - Junho/2005    

    Barcelos é o maior município em extensão territorial do mundo. Sua área equivale a quatro vezes o território da Suíça. Há dezenas de rios na região, todos afluentes do principal deles, o Rio Negro. O quadro social neste gigantesco município amazonense, onde há escolas rurais distantes 12 dias de barco da cidade, deixaria boquiaberto qualquer cidadão suíço. Cercados de matas, os habitantes buscam fontes de renda complementares à agricultura de subsistência. Desde a decadência dos seringais, Barcelos se especializou na extração de dois produtos da floresta: peixes ornamentais e piaçava, para confecção de vassouras.

    Piaba, na linguagem local, significa peixe pequeno. Os piabeiros, como são conhecidos os pescadores de peixes ornamentais, conhecem boa parte das duas mil espécies de peixes do Rio Negro. Dentre os ornamentais, o de maior procura é o Cardinal, recolhido com o auxílio do rapiché (rede de pesca) ou do cacuri (armadilha). Os piabeiros não têm barcos grandes nem caixas apropriadas para o transporte dos peixes vivos, por isso vendem o que pescam aos compradores que vão até eles. Quem dá o preço são os compradores: R$ 7,00 o milheiro (ou seja, mil peixes cardinais!). É necessário vender no mínimo 40 mil cardinais por mês, para que o piabeiro alcance uma renda familiar de um salário mínimo. O comprador vende o mesmo milheiro de peixes por R$ 12,00 ao comerciante em Barcelos, que vende por R$ 50,00 ao exportador de Manaus, que vende pelo triplo do preço aos atacadistas em São Paulo e Miami... e assim segue a quadrilha. Quanto mais longe o peixe fica de sua origem, maior a margem de lucro do comerciante.

    Um cidadão suíço ficaria estarrecido ao conhecer as condições de vida dos piaçabeiros, um degrau abaixo na escala social barcelense. Trabalhadores dos piaçabais recebem R$ 0,20 pelo quilo da piaçava cortada dos chamados patrões. Os patrões, que recrutam e transportam caboclos para trabalharem como piaçabeiros, vendem os gêneros de primeira necessidade a preços exorbitantes, de forma que os trabalhadores ficam presos ao piaçabal pelas dívidas que acumulam. Quando a piaçava acaba em determinada localidade, os patrões se encarregam de levá-los a outra, ainda mais distante de Barcelos. As crianças, filhos dos piaçabeiros, não estudam, pois não há escolas nos piaçabais. Não raro, ajudam aos pais em seu trabalho.

    A distância parece eximir a sociedade de suas responsabilidades. É como se a cidadania ainda não tivesse fôlego para percorrer longas distâncias; como se ela estivesse a bordo de uma canoa a remo, enquanto a Exploração navega em uma lancha rápida. Enquanto piabeiros e piaçabeiros permanecem no anonimato, aquários decoram salas de estar e vassouras piaçava varrem terraços ensolarados. Um cidadão suíço não seria capaz de compreender as razões de tamanho atraso.

     Pegue o seu trombone! - Julho/2005    Exibir fotos desse diário

    Este ano, buscamos recursos para reforçar os acervos das bibliotecas nas comunidades onde atuamos. Livros novos, selecionados com base na qualidade literária, estética, editorial e na capacidade de encantar. Incluímos periódicos no acervo das bibliotecas Vaga Lume. Além de gibis com histórias em quadrinhos, a revista Ocas entrou na lista e foi recebida com curiosidade pelos novos leitores. Na aldeia Campinas, em Cruzeiro do Sul, Acre, o professor Kayã folheava um exemplar. Preocupado com alternativas de desenvolvimento para seu povo Katukina, não soube de imediato que tinha em mãos o exemplo concreto e bem sucedido de uma ‘solução alternativa’. Ocas é uma solução. Ocas é uma alternativa.

    Nos últimos 12 meses, Ocas possibilitou a Associação Vaga Lume cumprir sua missão de divulgar aspectos da vida cotidiana na Amazônia Legal Brasileira a sociedade. Em outras palavras, a parceria com Ocas, possibilitou aos vaga-lumes pôr a boca no trombone. Dividir com os leitores a satisfação de desbravar, a inquietação de saber e a frustração de encontrar os limites de nossa ação no mundo. A todos os leitores, obrigada pela companhia.

    Para você que ouviu o som grave do nosso trombone vai o apelo: propague-o. Há muitas pessoas simpáticas à “causa amazônica”. Mas é preciso mais que simpatia para fazer a diferença. É preciso antes de tudo reconhecer nossa ignorância a respeito da realidade de nosso país. Em seguida, é preciso romper com a ignorância e construir um plano. Sem demora, é preciso partir para a luta. Neste exato momento, ao norte do Mato Grosso, sul do Pará ou em qualquer parte de Rondônia a floresta e sua gente são maltratadas. E não é por gringos disfarçados de padres. É por brasileiros como eu e você.

    Pegue o seu trombone e faça a sua parte - transcenda o slogan e busque o sentido desta frase na sua vida. Encontre sua forma de melhorar o mundo: abra mão do canudinho plástico, separe o lixo, cuide do seu impacto ambiental. Escolha assuntos relevantes para ocupar seu precioso tempo. Mude de opinião. Olhe nos olhos do menino que pede um trocado no farol. Deixe de lado a vida-das-pessoas-que-passam-na-TV e ocupe-se dos cidadãos anônimos. Ouça as histórias que os velhos têm para lhe contar. Divulgue Ocas.

    Aos editores, que dedicam há três anos parte de si para construir esse veículo de comunicação e inclusão, obrigada pela oportunidade.

    Silêncio agora, para ouvir os que vêm vindo. Atenção à voz da periferia urbana. Quanto ao nosso assunto - a Amazônia, seus habitantes, suas contradições - encerra-se aqui a coluna. Mas não a discussão, que está apenas começando!




    Rua Fidalga, 716 - Vila Madalena - CEP: 05432-000 - São Paulo - SP         
    © 2005 Expedição Vagalume    Tel: (11) 3032.6032      
    Termo de Uso      Política de Privacidade      Créditos