Conheci os filhos e netos do Guerreiro Macunaimê.
Terras de Roraima, Pacaraima, Brasil, Venezuela.
Lavrado, alagados, montanhas sagradas e povo cheio de segredos, mistérios e luta.
Ouvi histórias verdadeiras. De panelas de pedra encantadas que podem de dar uma dor de barriga ou te deixar rico. De chapéu de boto de pedra que pode seduzir qualquer moça. É verdade, eu vi!
Ouvi histórias de heróis e bandidos.
Olhei e reparei as mãos, os pés e o olhar dos herdeiros de Macunaimê que com balas de pedras venceram os grandes donos das terras que ainda possuem as pegadas de seu grane guerreiro.
Ali, me convidaram para dançar, cantar e repousar.
Ali eu comi a forte e ardilosa damorida, me deliciei com a tapioca e farinha que dizem: é a melhor do Brasil!
Ali também encontrei caminhos com muitas pedras...
Jovens que sofrem com uma identidade perdida pelo caminhar dos tempos modernos.
Cidade que sofre com fronteiras que vão além das geográficas.
Homens, mulheres e crianças que querem ficar em suas terras, colher seus frutos, cultuar seus mitos, agradecer seu Deus e continuar sendo filhos, netos e herdeiros de Macunaimê que me pareceu mesmo, ainda andar por lá.
Márcia Licá, expedição de monitoramento à Pacaraima, maio de 2011.